
"Extra, extra! Buraco Negro é visto voando pela França!
Brincadeiras a parte. Ontem (Quarta, 10) entrou em funcionamento a maior máquina aceleradora de partículas já construída pelo homem, a LHC, que em inglês significa Large Hadron Collider, e em português, Grande Colisor de Partículas.
Para vocês terem idéia do tamanho dessa máquina, ela ocupa um perímetro entre as fronteiras da França e Suíça de 27 KM, tamanho equivalente a quase 300 campos de futebol.
E o que a máquina tem de tamanho, tem de preço: foram gastos, no total, mais de 9 bilhões de dólares, ou 4 bilhões em euros. A máquina levou 20 anos para ser concluída em seu total e conta com mais de 2 mil físicos de mais de 35 países distintos. É um projeto astronômico, de grandeza única já feita até hoje na Terra.
Na máquina, existem 9300 magnetos supercondutores, mais de 10 mil toneladas de nitrogênio líquido e 60 toneladas de hélio líquido. O motivo de tamanha quantidade d nitrogênio, é o fato de que, quando ocorrer uma colisão de dois prótons, a quantidade de calor que poderá ser gerada poderá ser 1000 vezes mais alta que a temperatura do núcleo do Sol.
Para efeito de comparação, a temperatura média externa do Sol gira em torno de 6 mil graus centígrados. Agora, se for multiplicar os 6 mil (temperatura média externa do sol) por 100 mil (a energia liberada pela colisão dos prótons é cerca de cem mil vezes maior que a temperatura do núcleo do sol) chegaríamos a enorme quantia de 600 milhões. E isso estamos falando da temperatura externa! A temperatura interna do sol pode ser 20 vezes mais quente que a externa... Ou seja,a temperatura que a colisão dos prótons causaria dentro da máquina seria mais de 15 vezes maior que 600 milhões de graus centígrados. São números e acontecimentos realmente monstruosos.
Outra observação válida para essa máquina, é o fato de ela possuir um sistema de detecção de partículas inexistente no mundo, de tão enorme e complexo que é. Esse sistema deverá ser capaz de detectar mais de 600 milhões de colisões de prótons por segundo, além de poder medir o deslocamento de partículas e o tempo de colisão das mesmas com uma precisão inigualável. É como se pudéssemos ver, a olho nu, a velocidade da luz. É algo inimaginável.
A máquina ainda conta com 60 mil supercomputadores para analisar alguns dos infinitos dados.
Essa máquina tem, entre suas razões de ter sido construída, o objetivo de tentar explicar a origem da massa das partículas elementares. Dada a magnitude da construção e todos os cientistas envolvidos, dá para se ter uma idéia do tamanho do estudo que será realizado com base nos testes.
A brincadeira que fiz no início do tópico, referente ao buraco negro, nem é tanto uma brincadeira.
Alguns cientistas acreditam que este equipamento pode provocar uma catástrofe de dimensões cósmicas, como um buraco negro que acabaria por destruir a Terra. Mas os envolvidos na construção e estudos da máquina afirmam que essas alegações não passam de mera ilusão.
Bom, mas vamos supor que buraco negro surgisse nesses experimentos. Se surgisse, ele teria um tamanho milhões de vezes menor que um grão de areia, e não viveria mais de 10ˉ²³ segundos, pois por ser um buraco negro, emitiria radiação e deixaria de existir.
Vamos mais além. Vamos supor agora que mesmo assim ele continuasse estável. Do mesmo modo ele continuaria inofensivo. Mas porquê? Simples. Esse buraco negro teria sido criado à velocidade da luz (300 mil km por segundo) e continuaria a passear neste ritmo se não desaparecesse. Em menos de 1 segundo ele atravessaria as paredes da máquina e se afastaria em direção ao espaço. A única maneira de ele permanecer na Terra é se sua velocidade fosse diminuída a apenas 15 km por segundo. E, supondo que isto ocorresse, ele iria para o centro da Terra, devido à gravidade, mas continuaria não sendo ameaçador. Para representar perigo, seria preciso que ele adquirisse massa, mas com o tamanho de um próton, ele passaria pela Terra sem colidir com outra partícula (não parece, mas o mundo ultramicroscópico é quase todo formado por vazio), e ele só encontraria um próton para somar à sua massa a cada 30 minutos a 200 horas. Para chegar a ter 1 miligrama, seria preciso mais tempo do que a idade atual do universo.
Bom, chegamos a conclusão que, mesmo ocorrendo algo desse tipo, ainda continuaria inofensivo. Mas, mesmo assim, todo cuidado é pouco. Todo o investimento nessa monstruosidade pode ir por água abaixo se cálculos forem feitos errrados.
Boa sorte para os envolvidos na pesquisa.



11.9.08
Grande Colisor de Partículas; uma máquina inimaginável
Marcadores: Cotidiano, Fatos, Governo, Mundo Nosso, Opiniões
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1 comentários:
Muito interessante essa matéria, até onde vai a inteligencia do homem e m tentar copiar o poder de Deus?
Adorei!
Cláudio Enner!
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